Revista Sucesso

Atualizado em 15/06/2016 10:28

Educação

A burocracia contra a acessibilidade

Algumas regras ridículas, levadas à risca por pessoas que não sabem diferenciar cada situação

Da redação

Às vezes, algo que é para ajudar só atrapalha, e algumas regras ridículas, levadas à risca por pessoas que não sabem diferenciar cada situação, dando uma solução diferenciada de acordo com o que ocorreu, acabam trazendo transtornos a todos os envolvidos.

Confuso? Explico. Imaginem a seguinte situação: uma pessoa com uma deficiência leve, que já é motorista habilitada há mais de 20 anos, vai fazer o exame para renovação de carteira. Detalhe: não é nem a primeira vez que a carteira vai ser renovada.

Ao passar pelo exame médico (ou seja, o exame de vista), o médico que a atende a encaminha para o exame médico especial, aquele que o Detran-PR só oferece em Curitiba, alegando que se ela possui a deficiência, deve ser atestada pelo Detran.

O exame médico especial, em casos como é esse, da habilitação para dirigir, um tipo de atividade que exige do físico da pessoa controle e destreza, podendo oferecer riscos a outros se não for feito, é necessário, óbvio. Mas talvez, só talvez, alguém que já dirige há anos, nunca tendo tido qualquer tipo de problema, e que ainda possui um tipo de deficiência que não evolui, mas que muito pelo contrário, é praticamente imperceptível... Talvez essa pessoa, em especial, não precise passar pela via sacra de se deslocar até Curitiba para que o médico de lá diga algo que o médico daqui, também habilitado, poderia dizer sem maiores problemas.

É a burocracia mais uma vez mostrando que alguns dos nossos sistemas poderiam ser melhorados. Muitas vezes me pego imaginando por que não o são. Utilizo o exemplo da habilitação para dirigir pelo simples fato de que é algo que atinge a todos e, por isso, um exemplo que pode ser visualizado de maneira mais ampla. Mas a verdade é que a pessoa com deficiência passa por muitos desses acasos na vida, em que é vencida pela burocracia... assim como toda a população, na verdade. Mas com todas as barreiras, físicas e psicológicas, que a pessoa com deficiência deve superar no dia a dia, saber que os órgãos governamentais também têm sua parcela de culpa, contribuindo para atrapalhar a vida dessa pessoa é, no mínimo, contraproducente.

Fico imaginando se existem pessoas nesses órgãos que se organizam para encontrar soluções no sentido de facilitar não só o acesso a informações, mas também maneiras de fornecer a esse público, meios para que consigam atingir seus objetivos. Devem existir maneiras para transformar esse atendimento em algo mais efetivo, que atenda melhor às suas necessidades.



 

acessibilidade, burocracia

Colunista

Mariana Maiz Pirolo

Bacharel em direito, apaixonada por literatura e blogueira. Blog Pequenos Retalhos

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