Revista Sucesso

Atualizado em 15/06/2016 10:41

Gastronomia

Ah, se o café pudesse falar!

O que será que ele diria a nós, consumidores, baristas, comerciantes, provadores, torradores, corretores, produtores, agrônomos, pesquisadores...

Da redação


O café é tema de conversas. O café acompanha conversas. Pois bem, e se o café pudesse falar? O que será que ele diria a nós, consumidores, baristas, comerciantes, provadores, torradores, corretores, produtores, agrônomos, pesquisadores... A toda esta gentarada que o manipula das mais diversas formas.

Nosso vinho negro poderia começar assim:

_ Caríssimos, por favor, sou um arbusto milenar, minha florada é como um véu alvo e aromático que enfeita o campo. Meu fruto é doce, se você quer um café puro e que ressalte os atributos em seu paladar, por favor, me manipulem com mais cuidado. Sou uma plantinha que requer cuidados específicos no campo, adoro uma temperatura amena, um clima serrano e, se for plantado em meio a uma vegetação, volto às minhas origens e mais doce eu serei. Na colheita, debulhem minhas bagas como se contassem rubis, afinal, quando estou bem madurinho, fico vermelhinho. Não me deixe cair ao chão e, quando escolher como serei processado, tenha cuidado.

No armazenamento, minha sacaria deve ser como roupa nova de moça que sai toda prosa em dia de domingo. A tulha deve ser limpa e fresca, com temperatura e umidade controlada, assim, se por um acaso eu ficar estocado, manterei meus atributos bem guardados.

E quando chegar a hora de ser torrado, meus açúcares serão caramelizados. Primeiro vou expelir o aroma de pão sendo feito, isso acontece em reação de Maillard e é quando saio da cor de cana verde escuro e vou perdendo a umidade e ficando amarelinho como um canarinho, ou, para quem gosta de química, é quando a glicose e a proteína vão se combinando e ficando bem juntinhas como dois pombinhos.

Na sequência, solto meu canto, um crack crack que diz se já estou moreno o bastante, perdi peso e ganhei volume e cor, mas, por favor, não me deixe demais dentro do torrador. Meus óleos aromáticos devem ser exalados apenas quando eu entrar em contato com a minha amiga água filtrada, e não expurgados me deixando oleoso e pegajoso.

Quando sou comprado em grão e moído na hora, todos têm a certeza que sou café 100 %, que não tenho defeitos. Moído na hora encanto quem me prepara, pois os elogios vêm com certeza, invado a casa, desperto quem está dormindo, aproximo quem está longe, deixo o pão mais gostoso e a sobremesa mais saborosa. Inicio o seu dia, rejuvenesço a sua pele, sua imunidade melhora e quando precisa de um pouco mais de energia lá estou na sua xícara de novo. Sou café, moreno e prazeroso.

café

Colunista

Andréia Cristina Luchetti

Barista e proprietária do Ânima Café Artesanal
Facebook: @animacafeartesanal
Instagran: @animacaffe

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