Revista Sucesso

Atualizado em 15/06/2016 10:02

Educação

Antes e depois de Harry Potter

O fenômeno da autora britânica JK Rowling provou algo que muitos julgavam impossível: ler era uma fonte de prazer

Da redação

O perfil de leitura do jovem leitor (e aqui se usa a palavra jovem para definir leitores de 13 a 25 anos) mudou muito nos últimos anos. Lembro que quando ainda estava na escola, muitos dos meus colegas de sala só liam exatamente o que a professora obrigava, o que significava, aproximadamente, quatro livros por ano. E claro, por se tratar de uma obrigação, nenhuma dessas leituras era feita por prazer. 

Mais do que isso, quando visitava as grandes livrarias, não havia quase nenhuma preocupação em destacar os livros escritos para a faixa etária dos adolescentes e jovens. Afinal, ler não era uma opção de diversão. Quem comprava livros para passar o tempo era facilmente tachado de nerd. 
E então veio Harry Potter. O fenômeno da autora britânica JK Rowling provou algo que muitos julgavam impossível: ler era uma fonte de prazer e sim, adolescentes e jovens aguentavam ler livros com mais de trezentas páginas e sem figuras. E o mais impressionante: nem precisavam que a professora os ameaçasse com uma prova no fim do bimestre para que isso acontecesse. 

Eu vi todo esse processo acontecer de uma posição privilegiada. Afinal, mesmo antes de Harry Potter aparecer, eu já lia muito e por prazer. Adorava passar horas na biblioteca e minha carteirinha sempre precisava ser renovada no meio do ano, porque não tinha mais espaço para anotar os livros que eu emprestava. 

Mas por isso mesmo, vivenciar como Harry Potter mudou o perfil dos leitores mais novos foi algo interessante. Conforme a série ia se tornando mais conhecida, mais e mais pessoas da minha idade procuravam a leitura para divertir, ao invés de preencher requisitos para a escola. Ler não era mais coisa de nerd e esperar pela adaptação cinematográfica já não era a melhor opção. 

Com a oportunidade que a série de livros abriu, muitas outras obras direcionadas a esse público acabaram sendo publicadas em maior escala. Se antes as bibliotecas das escolas só possuíam exemplares que faziam parte dos catálogos educacionais, agora esses títulos dividiam as estantes com livros internacionais de gêneros completamente diferentes, entre eles ficção científica e fantasia.

Até mesmo livros de romance sobrenatural, como a famosa série Crepúsculo, da escritora Stephenie Meyer, ou distopias, como a trilogia Jogos Vorazes, da autora Suzanne Collins, ganharam seu espaço e mesmo com a notícia de que se tornariam grandes produções cinematográficas, ainda assim não tiveram redução no número das vendas. Pelo contrário, agora o interessante era ler os livros antes de assistir suas adaptações para o cinema, a fim de entender as diferenças e poder criticar de uma maneira mais completa. 

Sim, a série de livros Harry Potter foi um marco para a literatura jovem adulto. Muito do mercado literário foi sendo adaptado para incluir a crescente demanda de livros que esses novos leitores iam aos poucos consumindo. Muitos escritores conseguiram aos poucos ir encontrando seu espaço e alguns novos talentos passaram a ter sua chance num mercado que até hoje é difícil de se entrar. E, por isso, muitos leitores, como eu, só têm a agradecer pela oportunidade de ler e conhecer novos personagens e novos mundos.

 

literatura, Harry Potter, JK Rowling, Stephenie Meyer, Jogos Vorazes

Colunista

Mariana Maiz Pirolo

Bacharel em direito, apaixonada por literatura e blogueira. Blog Pequenos Retalhos

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