Revista Sucesso

Atualizado em 15/06/2016 10:14

Educação

Lizzie Velasquez, uma história inspiradora

No fim das contas, Lizzie Velasquez está certa: somos nós que decidimos o que nos define.

Da redação

Um vídeo que foi muito compartilhado na internet nesses últimos meses foi a palestra inspiradora de Lizzie Velasquez, uma mulher de 25 anos portadora de uma síndrome extremamente rara que faz com que ela não consiga engordar e afeta a sua aparência.

Lizzie Velasquez passou por várias situações durante a sua vida que poderiam ter lhe feito escolher ficar de cabeça baixa e se esconder. Uma delas, talvez a mais marcante, foi encontrar um vídeo seu no YouTube com o título de “A Mulher Mais Feia do Mundo”. Nos comentários do vídeo, várias pessoas pediam para que ela se matasse. Algumas até davam instruções de como fazer isso. 

Vou deixar de lado aqui tudo o que eu penso sobre essas pessoas que gastam seu tempo postando tais comentários estúpidos e maldosos em vídeos da internet. Porque sinceramente esse tipo de pessoa não vale o meu tempo. Ao invés disso, vou focar no que é realmente interessante na história: a maneira como Lizzie reagiu a isso. 

Lizzie percebeu que era uma escolha pessoal dizer o que a definiria. Ela decidiu então que não ia deixar que a sua síndrome definisse quem ela ia ser. A história dela é muito enriquecedora, e eu não pude deixar de me identificar com ela quando contou que até o dia que foi mandada pela primeira vez para a escola, simplesmente não tinha noção de que era diferente, já que em casa sua família nunca a tratou de maneira diferente. 

Além disso, ela sempre fala em benefícios que sua condição traz. Por ser cega de um olho, por exemplo, ela cita que só usa uma lente de contato. Ou ainda, que quando alguém está sendo irritante, é só colocar a pessoa do seu lado direito e é como se ela nem estivesse lá. Por sua síndrome não a permitir ganhar peso (Lizzie comenta que nunca em seus vinte e cinco anos pesou mais do que trinta quilos) ela pode comer o que quiser, o quanto quiser, e se aproveita dessa vantagem.
 
Ela olhou para o seu futuro e traçou objetivos. Ao invés de ficar focando no que a fazia diferente ou no que as outras pessoas achavam que era ruim nela, Lizzie decidiu que ia focar nas coisas boas, como, por exemplo, em como o cabelo dela é ótimo. Sim, porque é uma coisa ótima e é dela.

É algo realmente revolucionário essa maneira de pensar. Desde criança, somos condicionados a pensar sempre nas dificuldades e desvantagens das nossas deficiências. Para a mulher é ainda pior: somos sempre condicionadas a não aceitar elogios, e ao invés de dizer obrigada quando alguém elogia a nossa aparência, a sociedade nos ensinou a diminuir o elogio. Experimente dizer para uma amiga que a roupa dela é linda. Muitas vezes, a resposta dela é: “Jura? Mas eu acho que estou tão gorda...”. Por quê? Por que não aceitar um elogio? Por que não escolher ver os benefícios ao invés de procurar as dificuldades? 

Talvez essa escolha nem sempre seja fácil para uma pessoa com deficiência, e é com certeza mais complicada pelas próprias limitações que a sociedade como um todo nos coloca. Talvez os comentários da comunidade em que vivemos possam parecer pesados demais e não dar vontade nenhuma de reagir. Mas ainda assim, é algo que existe e que todos (pessoas com deficiência aparente ou não) devem lidar com isso. No fim das contas, Lizzie Velasquez está certa: somos nós que decidimos o que nos define.


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Colunista

Mariana Maiz Pirolo

Bacharel em direito, apaixonada por literatura e blogueira. Blog Pequenos Retalhos

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