Revista Sucesso

Atualizado em 22/06/2016 09:39

Gastronomia

Pedais, café e seus quinídeos

Apesar da experiência com café, durante toda a minha oratória, minhas pernas tremiam.

Da redação


Como poderiam quatro aventureiros impor tanto pavor em alguém?

Na verdade, apesar de não conhecê-los, nutria admiração pelo quarteto. Junte a isso o nervosismo comum que qualquer pessoa tem ao falar em público, um filho com 38,5 °C de febre, e outra filha pequena se contorcendo de sono no colo do pai. Esse era meu pano de fundo, quando iniciei a falar sobre a minha paixão eterna: o café. Sendo meus ouvintes atletas amadores, abordei como tema ‘café e saúde’, com o título: Pedalando com café.

O encontro aconteceu num dos pontos turísticos da nossa premiada Rota do Café. Parada obrigatória para eles que estavam no primeiro dia de uma aventura que duraria mais seis, e que realizariam o percurso sobre equipadas magrelas.

O nervosismo foi tanto que, ao rememorar os 40 minutos durante os quais discorri sobre o assunto, lembro-me com clareza de dizer: “São três os elementos que o café possui e que são importantes nesta aventura de asfalto, serras e pés de café: os sais minerais, a cafeína e os ácidos clorogênicos (quinídeos)”.

Os sais minerais repõem no organismo o que se perde com o suor, sendo então um isotônico natural. A cafeína promove a energia e o estado de alerta. Os quinídeos, deixei para o fim. Em escala, apesar de não serem os mais comentados, esses componentes estão, em média, três vezes mais presentes no café que outros. A diferença está na torra: os sais minerais e os quinídeos se perdem quando o café sofre uma torra excessiva, já a cafeína é termo estável, permanecendo inalterável. Os quinídeos possuem um potente efeito no cérebro, diminuindo a fadiga e elevando os níveis de autogratificação interna (self-reward). Isso faz com que o atleta siga adiante ao atingir um ponto máximo de cansaço, bloqueando a endorfina.

Aproveito essas linhas para falar também sobre outra paixão: a magrela. Não dirijo, nem tenho intenção de fazê-lo. Sou adepta de menos carros, mais bicicletas e mais cafeterias pela cidade. A sinergia que se tem disso tudo é saúde. A admiração que citei no início pelos meus ouvintes provinha deste amor em comum pela magrela, que, através do café, me possibilitou conhecer pessoas, trocar informações e, apesar das imperfeições de uma rotina, apreciar uma boa xícara de café ao pé de uma lareira.

O café promove encontros fantásticos nos mais diversos lugares do globo.

Apreciem-no na companhia de amigos, de amores, ou de um livro. Ou ainda, façam como esses aventureiros dos pedais: deem uma folga para o seu carro.

café, pedal

Colunista

Andréia Cristina Luchetti

Barista e proprietária do Ânima Café Artesanal
Facebook: @animacafeartesanal
Instagran: @animacaffe

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