Revista Sucesso

Atualizado em 15/06/2016 10:23

Educação

Quando os meios contribuem para a comunicação

Acredito que um dos pontos que mais fazem a vida da pessoa com deficiência difícil é muitas vezes a falta de informações e de outras pessoas que também convivem com os mesmos problemas

Da redação

Ser uma pessoa com deficiência física não é muito fácil. E não digo nem tanto pelas limitações que a própria deficiência traz, que podem variar desde uma simples falta de resistência para caminhadas à impossibilidade de executar pequenas tarefas rotineiras sem a ajuda de outra pessoa.

Também não me refiro, nesse momento, ao preconceito enfrentado todos os dias, à falta de informação que pode levar desconhecidos a acreditarem que você não possui capacidade para tomar certas decisões, o que muitas vezes resulta em tentativas de ajuda bem-intencionadas, mas desnecessárias, ou mesmo às benditas barreiras arquitetônicas que existem e atrapalham a locomoção. Não, todos esses pontos, embora façam parte da longa lista que complicam a vida da pessoa com deficiência, hoje não são o objeto dessa reflexão. 
 
Acredito que um dos pontos que mais fazem a vida da pessoa com deficiência difícil é muitas vezes a falta de informações e de outras pessoas que também convivem com os mesmos problemas. Essa troca de ideias e de experiências pode ser muito benéfica e, no entanto, como a maior parte das pessoas com deficiência física estão inseridas no mercado de trabalho e na sociedade geral, por vezes o contato com outras pessoas que possuem as mesmas dificuldades, que têm os mesmos anseios e que enfrentam os mesmos problemas acaba ficando em segundo plano, ou mesmo se torna inexistente. 
 
Digo isso por experiência própria. Possuo um blog na internet, um blog extremamente pessoal, onde posto resenhas de séries de TV, filmes e livros, mas onde por vezes também discuto minhas experiências pessoais, inclusive aquelas que são diretamente relacionadas à minha vida de pessoa com deficiência. Por causa desses posts, muitas vezes recebo comentários de outras pessoas que também possuem deficiência e querem alguém para conversar, simplesmente trocar algumas ideias. São pessoas que, como eu, estão inseridas no mercado de trabalho, possuem famílias, sonhos e metas, mas que também têm que enfrentar problemas que não estão presentes na vida da maioria das pessoas, o que muitas vezes é frustrante. 
 
Quando recebo algum comentário desse tipo, sempre fico feliz. É muito bom trocar esse tipo de experiência, é interessante saber que as dificuldades que você enfrenta também fazem parte da vida de outras pessoas, também incomodam e também frustram... Parece que fica mais fácil saber que não estou sozinha e, mais importante, é ótimo perceber que com as suas próprias histórias você pode oferecer caminhos diferentes e novas ideias para outras pessoas de outras partes do país, pessoas que eu nunca teria encontrado se um dia não tivesse posto a vergonha de lado e escrito num blog aberto sobre a minha vida. Claro que tomo cuidado, a internet é terra de ninguém e existem muitas pessoas mal-intencionadas que podem tirar proveito do que você posta, mas ainda assim, dividir minha história me deu a oportunidade de conhecer outras histórias como a minha.

 

acessibilidade, deficiência física,

Colunista

Mariana Maiz Pirolo

Bacharel em direito, apaixonada por literatura e blogueira. Blog Pequenos Retalhos

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