Revista Sucesso

Atualizado em 15/06/2016 10:13

Educação

Um manual para comunicadores

O projeto é interessante não só para profissionais da comunicação mas também para os demais profissionais que tem dúvidas sobre como se referir a uma pessoa com deficiência.

Da redação

A Câmara dos Deputados lançou recentemente um manual direcionado a profissionais da comunicação que explica como mencionar a pessoa com deficiência em matérias jornalísticas. O projeto da deputada federal do Alagoas, Rosinha da Adefal, que coordenou a produção do material, pode ser encontrado no site da Câmara dos Deputados.

O projeto é interessante não só para profissionais da comunicação mas também para os demais profissionais que tem dúvidas sobre como se referir a uma pessoa com deficiência. O Guia explica inclusive porque o correto é “pessoa com deficiência” mesmo que em textos legais e inclusive na Constituição esteja o termo “pessoa portadora de deficiência”.

A verdade é que se referir à pessoa com deficiência da maneira co
rreta nem sempre é algo com que a maioria das pessoas se preocupa, e muitas vezes por ingenuidade e ignorância, utilizam-se termos pejorativos que acabam ofendendo aquele a quem está se referindo. Saber como se direcionar a uma pessoa com deficiência é também valorizá-la como pessoa, não exaltando a sua deficiência.

É importante também deixar de lado a ideia do “normal” como o contrário da pessoa com deficiência. O conceito de normal é algo muito subjetivo, e ao criar frases como “os alunos com deficiência estudam na mesma sala que os alunos normais” o que se está dizendo é que o aluno com deficiência de alguma forma não é normal, o que é ofensivo.

Outro ponto muito importante citado no manual é no caso de artigos sobre os feitos de profissionais com deficiência, quando se diz por exemplo que “mesmo com deficiência, trabalha todos os dias”, pois o que parece é que a pessoa com deficiência é incapaz de ter um trabalho. Ou ainda, utilizar-se da palavra vítima para definir a pessoa com deficiência: “vítima de deficiência visual, utiliza-se de programas específicos para utilizar o computador”. Outra construção comum é a frase “o homem encontra-se preso a uma cadeira de rodas”. Ora, uma cadeira de rodas para uma pessoa com deficiência quer dizer exatamente o contrário de prisão. É na verdade instrumento de sua liberdade.

O guia também enumera a maneira correta de se referir aos vários tipos diferentes de deficiência, inclusive citando as expressões que devem ser evitadas. A palavra tem poder, e por isso os meios de comunicação devem tomar cuidado ao utilizar-se de expressões para referirem-se às pessoas com deficiência. Projetos como esse são importantes para elucidar as dúvidas mais comuns e para que todos possam aprender a utilizarem-se das maneiras adequadas, inclusive no dia-a-dia, para conversar sobre a pessoa com deficiência.

Link para a notícia no site da Câmara dos Deputados: 
http://www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias/COMUNICACAO/467463-CAMARA-LANCA-GUIA-PARA-A-IMPRENSA-FALAR-SOBRE-DEFICIENTES.html

acessibilidade, deficiência, comunicadores

Colunista

Mariana Maiz Pirolo

Bacharel em direito, apaixonada por literatura e blogueira. Blog Pequenos Retalhos

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