Revista Sucesso

Atualizado em 15/06/2016 10:29

Educação

Velhas desculpas para velhos problemas

Os principais problemas já foram identificados. Talvez tenha chegado a hora, por meio de novas ações, sejam iniciativas do Estado ou não, procurar a solução para eles.

Da redação

Desde que a ideia desta coluna nasceu como um espaço para se discutir a inclusão da pessoa com deficiência não só no mercado de trabalho, mas também na vida em sociedade, já foram discutidas por aqui várias formas para fazer dessa inclusão algo mais simples.

A principal resposta para o assunto da inclusão da pessoa com deficiência na iniciativa privada foi dada em forma de uma lei, a Lei nº 8213/1991, ou seja, 21 anos atrás. Basicamente, em seu artigo 93, a referida lei estabelece porcentagens das vagas a serem preenchidas por empregados que possuam algum tipo de deficiência, de acordo com o número de trabalhadores que constituam o quadro funcional da empresa.

Infelizmente, tais regulamentações ainda encontram muitas barreiras para serem efetivadas pelos empresários. Algumas dessas barreiras são psicológicas, quando os empresários acreditam que um trabalhador que tenha deficiência não poderá atingir níveis satisfatórios de produção ou mesmo que essa pessoa consiga conviver de forma harmoniosa com o resto dos funcionários, tornando-se simplesmente um caso de caridade. Porém, tais afirmações costumam ser feitas exatamente por aqueles que sequer tentaram manter, em seu estabelecimento, empregados que possuam limitações.

Claro que considerações sobre as alterações a serem elaboradas no ambiente de trabalho também são utilizadas como argumentos para justificar o descumprimento da lei. Algumas pessoas com deficiência necessitam das mais variadas adaptações em seu meio ambiente do trabalho para conseguir desenvolver suas atribuições de maneira independente, e algumas dessas mudanças podem significar grandes investimentos financeiros. Por conta disso, muitas negativas de emprego são dadas utilizando esses argumentos, inclusive de que “a porta do banheiro não era larga o suficiente”.

Além disso, outra justificativa bastante utilizada é a de que não existem candidatos com deficiência qualificados para as funções. Não adquirindo a capacitação necessária, a pessoa com deficiência acaba não sendo contratada por não preencher os requisitos básicos. O maior problema, porém, ainda é que muitos dos cursos de capacitação não estão adaptados para receber alunos com deficiência.

Algumas instituições até oferecem cursos voltados para o público das pessoas com deficiência, mas são poucos os cursos ofertados até agora e alguns não têm suas vagas preenchidas.

Sob as diretrizes da lei muito pode ser feito para incentivar a contratação pelas empresas de pessoas com deficiências. O grande problema é que, em 21 anos, as desculpas para o não preenchimento das cotas continuam as mesmas. Os principais problemas já foram identificados. Talvez tenha chegado a hora, por meio de novas ações, sejam iniciativas do Estado ou não, procurar a solução para eles.

 

acessibilidade, deficiência

Colunista

Mariana Maiz Pirolo

Bacharel em direito, apaixonada por literatura e blogueira. Blog Pequenos Retalhos

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