Revista Sucesso

Atualizado em 07/01/2019

Estilo de vida

A Amazônia: Pulmão do Mundo ou Diferencial do Brasil?

A Floresta Amazônica é uma das mais ricas em biodiversidade do mundo, abrigando espécies de plantas e animais (terrestres e aquáticos) que ainda são desconhecidas por cientistas e pesquisadores.

Da redação

A Floresta Amazônica é uma das mais ricas em biodiversidade do mundo, abrigando espécies de plantas e animais (terrestres e aquáticos) que ainda são desconhecidas por cientistas e pesquisadores. É uma floresta tropical úmida que se estende por nove países: Brasil, Venezuela, Colômbia, Peru, Equador, Bolívia, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. A maior porção dela está inserida no Brasil (aproximadamente 60%), na Bacia do Rio Amazonas, o segundo maior rio em extensão do mundo (mais de 6.400 km), vem do alto dos Andes até o Oceano Atlântico e desempenha importante papel no ciclo das águas (precipitação de chuvas, umidade do ar, absorção do solo, evapotranspiração, temperatura e correntes oceânicas).

Além da riqueza de biodiversidade, no Brasil a floresta abriga ainda mais de 220 grupos indígenas e comunidades tradicionais que vivem da extração sustentável de recursos naturais e detém alto conhecimento sobre os subprodutos da floresta, especialmente suas propriedades fitoterápicas e curativas. Ocorre que estes povos, embora protegidos constitucionalmente, são os que mais padecem das pressões sobre a floresta.

As principais ameaças da região amazônica continuam sendo a extração ilegal de madeira, a mineração e garimpagem, queimadas para conversão da floresta em pastagem e áreas de agricultura, grilagem de terras, bem como os efeitos das mudanças climáticas que impactam negativamente os complexos ecossistemas existentes.

A perda anual da cobertura florestal da Amazônia continua significativa e vem causando alterações na precipitação de chuvas e aumento da seca em todo o país, sem contar nos impactos sobre a biodiversidade.

Neste sentido, o Governo Federal e o apoio de instituições nacionais e internacionais, nas últimas três décadas, têm investido grandes esforços e recursos humanos e financeiros para conservação da floresta, das espécies em seus habitats, bem como da população local. A conservação da Amazônia não pode ser vista como uma política exclusivamente ambiental, mas social e econômica. O uso sustentável dos recursos naturais brasileiros constitui-se uma grande oportunidade econômica para o Brasil, especialmente para o posicionamento do país no ranking internacional.

Os esforços dos últimos 30 anos serviram para ampliação dos conhecimentos sobre a importância da região e o aumento da conscientização pública e coletiva sobre o valor da floresta. Abrir mão dos marcos regulatórios decorrentes dos esforços de todos estes anos seria um retrocesso sem precedentes.

A proteção da Amazônia não significa deixá-la intocável, mas regular e fiscalizar efetivamente seu uso sustentável, para que atividades estrangeiras não criem patentes sobre os subprodutos nacionais e os explorem sem ganho para o país.

Recentemente foi lançado o primeiro "Diagnóstico sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos" do Brasil, por iniciativa da Plataforma Brasileira de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos, que é um grupo de trabalho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – SBPC, com suporte financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq e apoio da Academia Brasileira de Ciências – ABC, e reúne grandes especialistas no assunto.

Referido diagnóstico aponta os principais riscos e oportunidades da biodiversidade para o país, especialmente para os tomadores de decisão, elencando um rol de riscos como a perda da produtividade agrícola, o aumento à vulnerabilidade de desastres climáticos, disseminação de doenças e vetores, etc., e as oportunidades como o desenvolvimento social e econômico, a redução da pobreza e desigualdade, geração de emprego e renda, liderança ambiental global, valorização dos produtos nacionais, entre outros.

Segundo o diagnóstico foram mapeados  mais de 245 espécies de plantas utilizadas em produtos farmacêuticos e cosméticos e mais de 36 registrados como fitoterápicos, e em um cenário com maior investimento, somente este segmento poderia injetar bilhões no PIB nacional.

Neste final do mês de novembro, no âmbito da 14ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre a Convenção da Diversidade Biológica (COP 14 CDB), serão amplamente discutidas as estratégias e metas mundiais para preservação da biodiversidade e a justa distribuição de seus benefícios. Este evento, que reúne mais de 160 países do mundo, definirá o direcionamento de um novo marco global sobre o tema, para serem perseguidos pelos participantes e signatários deste pacto. Londrina é um dos governos locais representados no evento, reafirmando seu compromisso com esta agenda.

A visão política deve ser holística já que as causas e soluções dos problemas ambientais, sociais e econômicos são indissociáveis. Precisamos de uma visão profunda e crítica sobre os ônus e oportunidades da nossa riqueza e patrimônio nacionais, resultando em um ganho de competitividade no ambiente global.

Roberta Silveira Queiroz – Advogada, Assessora de Políticas Sustentáveis e Integração Metropolitana do Município de Londrina, representante do município na delegação da América do Sul na COP 14 CDB

Referências:

https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/areas_prioritarias/amazonia1/

https://oglobo.globo.com/sociedade/sustentabilidade/biodiversidade-galinha-de-ovos-de-ouro-desperdicada-no-brasil-mostra-relatorio-23220249

 

Amazônia, Roberta Queiroz, Meio Ambiente, Editora Sucesso, Sucesso Londrina, Revista Sucesso, Revista Bem Estar
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