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Saúde

Cálculo renal: previna-se com hábitos saudáveis

Nefrologista Abel Esteves Soares, do Instituto do Rim, ressalta a crescente incidência do problema

Da redação


Nefrologista Abel Esteves Soares

Conhecido popularmente como pedra nos rins, o cálculo renal é um problema comum com incidências diferentes nas diversas regiões do Brasil e do mundo. Segundo o nefrologista Abel Esteves Soares, tem-se percebido um aumento na incidência desta doença nas últimas décadas, associada principalmente a fatores ambientais relacionados ao estilo de vida, padrão alimentar, ingestão insuficiente de líquidos e sedentarismo.

O médico esclarece que essa doença acomete mais os homens do que as mulheres. O diagnóstico geralmente ocorre entre os 20 e 40 anos, e este fato pode estar relacionado aos hábitos alimentares nessa faixa etária da população, que em geral consome mais proteína de origem animal, principalmente as carnes vermelhas. Outras faixas etárias, como a infantil, também podem desenvolver os cálculos renais. A hereditariedade é outro fator importante dentre as suas causas. “Além disso, observa-se uma tendência à associação do cálculo renal com doenças como obesidade, hipertensão arterial e diabetes mellitus”, afirma o médico, que é doutor em ciências da saúde e docente nos cursos de medicina da UEL e PUC Londrina.

O nefrologista explica que os rins exercem uma ação fundamental de controle da quantidade de água e sais no nosso organismo. Sendo assim, várias substâncias precisam ser eliminadas através da urina. “Na urina, estão presentes tanto substâncias que tendem a se agregar, formando cristais e depois as pedras – como o cálcio e o ácido úrico, por exemplo – quanto substâncias que inibem essa cristalização, como o citrato, principalmente. Quando ocorre um desequilíbrio dessas substâncias, há a formação do cálculo. Na investigação metabólica que realizamos, conseguimos identificar o fator responsável pela formação do cálculo renal em até 90% dos casos”, esclarece.

Embora muitos já tenham ouvido falar da intensa dor da cólica renal, poucos sabem que, quando o cálculo está localizado dentro dos rins, a pessoa não sente dor, já que estes órgãos não têm sensibilidade para dor em seu interior, que é o local onde se formam os cálculos. “A dor se dá quando o cálculo migra pelo ureter até a bexiga. O ureter, sim, tem inervação para dor”. Segundo o especialista, cálculos de até 5 mm podem ser eliminados naturalmente pelo organismo e ao chegar à bexiga, a dor geralmente cessa. “O problema maior é quando o cálculo não é eliminado, causando obstrução do ureter”, aponta.

Cólica renal - Quem já sofreu de cólica renal conhece a urgência do problema. É uma dor lombar súbita e de forte intensidade, que se irradia conforme o cálculo se locomove pelo ureter até chegar à bexiga. “Essa dor geralmente se dá em períodos de exacerbação e de acalmia e pode vir acompanhada de náuseas e vômitos. Não há posição em que a pessoa se sinta confortável, nada melhora”. O tratamento hospitalar muitas vezes é necessário com o uso de analgésicos e antiespasmódicos, por via endovenosa para o alivio mais rápido da dor. O uso de anti-inflamatórios também é utilizado, mas deve ser feito com cautela, principalmente em pessoas com idade superior aos 60 anos. Porém, se a cólica renal não cessar em até dois dias, isto pode ser um sinal de que o cálculo está causando obstrução total ou parcial do ureter e condutas médicas específicas serão necessárias.

Prevenção - Orientações gerais como diminuir o consumo de sal, praticar atividades físicas, ingerir líquido (o suficiente para formar dois litros de urina por dia) e manter uma alimentação saudável são orientações básicas para prevenir o cálculo renal. Crianças, pessoas com um único rim, com cálculo bilateral e/ou recorrentes, pertencem ao grupo de risco da doença e então recomenda-se a realizar exames para confirmar a presença do cálculo renal e promover a investigação da causa do problema. A partir do resultado dessa investigação, são indicadas orientações específicas. É possível que pessoas tenham cálculos durante anos e desconheçam o problema por serem assintomáticos. Nesses casos, embora não provoquem dor, o cálculo pode crescer e facilitar o aparecimento de infecções. Daí a importância da realização de exames nos grupos de risco, recomenda o Doutor Abel.

Abel Esteves Soares, nefrologista,
CRM PR 12733

Abel Esteves Soares, nefrologista, revista bem-estar, sucesso, rim
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